segunda-feira, 21 de julho de 2014

"OUVIU FALAR" EM CABALA OU CABALÁ ?

QUE TAL COMEÇAR A LER POR AQUI E ESCLARECER DE VEZ ! VOCÊ NÃO SE ARREPENDERÁ ! Na realidade é um curso de Cabala prática para estimular a criatividade e muito mais !

Você e a Cabala

(Texto extraído do meu livro Kabbalah, A Árvore da sua Vida publicado em 1996 e atualmente esgotado.)


                                        Todos estamos cansados                                                         de doutrinadores
que nos falam sobre Deus
e sobre o sentido do universo.1

Na Godwin’s Cabalistic Encyclopedia2 encontramos uma definição de Cabala muito interessante à página xiii:

O sistema cabalístico é aplicável numa surpreendente variedade de campos....  (...)
.............
Há uma certa evidência de que a Cabala e a Árvore da Vida estão presentes no inconsciente coletivo mental de cada pessoa, mesmo se ele/ela nunca ouviram falar dela”.

Talvez por isso mesmo, uma das características fundamentais do conhecimento da Cabala é a de possibilitar a compreensão da origem das religiões (ocidentais?) porque ela nos propicia uma visão ecumênica do religar de fato o homem ao seu Deus. A antiga tradição (kabbalah) tem sido mantida na sua forma original através dos séculos pelos judeus e alguns cristãos. Partilho da opinião de Ze’v ben Shimon Halevi3 que diz:

Descobrimos, por conseguinte, que o projeto do Tabernáculo no deserto do Sinai, reverbera no Templo de Jerusalém, no projeto da igreja, da mesquita, bem como na Loja Maçônica e no santuário do ocultista.”

O aprendizado de uma Cabala ecumênica permitirá a você um apreciação profunda de toda e qualquer religião porque será possível conciliar os “seus deuses”. Com o seu estudo, o  respeito a qualquer culto passará a ser grande e a compreensão dos ritos quase que intuitiva, ampliando a sua capacidade de praticar essencialmente aquilo que estava escrito à entrada do templo de Delfos, na Grécia: “conhece a ti mesmo!” É escutar o próprio coração, aquele semelhante ao do Adão Primitivo, do primeiro homem que soube, pela primeira vez, escolher um deus. Ou como disse Leonardo Boff 4:

O sagrado não está nos objetos, no altar, na eucaristia, no livro sagrado ou em pessoas consagradas. O sagrado é a profundidade de cada pessoas humana.

Assim sendo, você está se iniciando em um conhecimento, uma escalada interior cuja assimilação não é particularmente fácil mas permitirá uma reavaliação completa de muitos valores da sua vida; a tomada de decisões será mais sábia, às vezes muito dolorosa - por uma qualidade de vida melhor. É disso que trata a Cabala e não de um mistério religioso, penoso, necessariamente oculto, cujo discernimento pertence apenas aos ascetas ou religiosos ortodoxos, quando não fanáticos. Afinal de contas, se olharmos o nosso universo, veremos que a sua constituição é de um caos maravilhoso e não de um fanatismo venenoso. Ele realmente pertence a quem “saca” e não a quem se perde em práticas estéreis e sem conteúdo. A prática é uma ferramenta e não um fim. O fim é o homem! Contemple o de cima que você acabará por entender o de baixo! Ou vice-versa. E, ao fazê-lo, preste atenção no que diz Elémire Zola5:

Sofremos com a perda de toda a qualidade feminina em nós - a arte de ouvir os alertas, de aceitar a fragilidade, de sentir carinho para com o universo. A arregimentação masculina, o planejamento, a exploração utilitária cresceu ao ponto de nos colocar à beira da autodestruição. Desde a infância nós somos torturados para assumir que o lado esquerdo do cérebro é o nosso único guia confiável .“

Esclarece ainda6:

“...apenas na Cabala a androginia de Deus torna-se aparente...”

Ainda que, de certa forma, Elémire refira-se ao ocidente, é uma grande verdade. Como a Cabala  sempre foi estudada por poucos,  nunca sofreu a mesma corrupção dos textos exotéricos. A força da Seshinah, a emanação feminina de Deus, está sempre presente na sua essência. E a androginia é o seu equilíbrio. Quem a estuda sabe! Mas, novamente cuidado. Faça como recomendam os sábios: mantenha os pés bem firmes no chão; a raiz da árvore profundamente fincada. Isso é absolutamente necessário porque a Cabala trata das realidades que estão além da nossa capacidade de observar consciente ou cientificamente. Nos últimos séculos perdemos o costume de lidar com essa forma de conhecimento...  talvez porque fazemos como sugere Éliphas Lévi7:

O primeiro movimento religioso do homem é o de se prosternar diante das semelhanças e das imagens. É o que caracteriza a inclinação para a idolatria de todos os povos em sua infância. Mas o iniciado se levanta e contempla face a face a imagem alegórica de Deus, e é quando ele sabe manter-se de pé adorando que Deus fala à sua inteligência e à sua razão.”


1.Boff, L. e Beto Frei, Mística e Espiritualidade. Ed. Rocco, p. 7
2. Godwin, David, Godwin´s Cabalistic Encyclopedia. Llewellyn Publications, p.iii
3. Zév ben Shimnon Halevi. O Trabalho do Kabbalista. Ed. Siciliano, p. 56
4. Boff, L. e Beto Frei, Mística e Espiritualidade. Ed. Rocco, p. 67
5. Zola. E, The Androgyne, Thames and Hudson, p. 31
6. Ibid. P.21
7. Levi, E, Os Mistérios da Cabala.Ed. Pensamento, p.27


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