quinta-feira, 6 de março de 2014

OLÁ GAROTÃO ! VOCÊ TEM UMA RESPOSTA...  

O que é que eu vou ser na vida?                           Leo Reisler

Esta é a pergunta mais dramática que pode passar pela cabeça de um jovem. Cuja resposta fica difícil de ser respondida a medida que a revolução da comunicação vai tomando conta do mundo, desde os centros cosmopolitas mais sofisticados até as longínquas aldeias. Por exemplo, ninguém mais vive sem o computador ou smartphone. A vida está se tornando impraticável sem eles. O seu advento tornou uma escolha profissional algo muito complexo. Senão vejamos:
- não há mais uma profissão estável, as pessoas estão trocando de profissão pelo menos 5 vezes durante as suas vidas;
- há inúmeras profissões sendo rapidamente descartadas como obsoletas e que até há pouco tempo eram altamente remuneradas e consideradas seguras;
- ninguém realmente sabe onde esta revolução da comunicação vai parar, quais as suas consequências a médio e longo prazo;
- o longo prazo anda dando calafrios em alguns gurus empresariais;
- etc., etc., etc., e assim por diante.
Portanto, como ficamos com “o que vou ser na vida”? Mal, muito mal, sobretudo porque os pais brasileiros continuam cobrando dos seus filhos uma decisão ainda em tenra idade com a desculpa de que “você precisa estar bem preparado”. Como vimos, preparado para o que? Querem eles que um jovem de 15 ou 17 anos tenha cabeça para definir o que irá fazer com a sua vida nos próximos 30 ou 40 anos: ser um médico frustrado recebendo o seu ridículo pagamento do SUS ou um mecânico feliz? O pai quer o médico. Talvez o filho devesse optar por ser mecânico. Mas só Deus sabe. Ou será que sabe? Se Ele não sabe, muito menos o jovem que além da escolha precoce vê lá no fundo do túnel (quando estiver formado na faculdade de medicina...) uma luz que na realidade é um trem expresso em alta velocidade vindo ao seu encontro. Porque não há visão de um emprego lá na frente. Terminada a faculdade de medicina ou de engenharia, irá trabalhar como frentista em um posto de gasolina, se encontrar uma vaga.
Há uma saída?
Há sim! Além do estudo formal mesmo mal escolhido, em uma escola ou faculdade, trabalhar e estudar colateralmente outros assuntos desde cedo, ampliando o leque de opções, de preferência línguas estrangeiras, para enfrentar qualquer dificuldade sem a proteção dos pais. Mesmo porque em algum momento esta proteção deixará de existir, naturalmente. A vida voltou a ser muito dura como sempre foi através dos séculos. Talvez nunca mais volte a ser fácil. É melhor estar preparado. Com uma escolha mais demorada porém correta. Com muita leitura. Com muito esforço. Sobretudo com muita independência da mesada ou do esforço dos “velhos”.  Isto será viver realmente a sua vida com qualidade, com empenho, enfim, com intenção de viver como compete a qualquer pessoa que está aqui neste mundo para isto mesmo. Enfrentando sem receio esta revolução em andamento e sendo alguma coisa que presta na vida.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Muito importante para você que usa adoçantes !!!!
E quer saber o que põem dentro de seu corpo.

Dieta Low-Carb e Paleolítica

Adoçantes - e rótulos


Vários de vocês têm perguntado sobre adoçantes. Eis um tema espinhoso, em que o conceito de low carb e de dieta paleolítica divergem. Vejamos.

Os adoçantes podem ser divididos em naturais e artificiais, calóricos e não calóricos.

Do ponto de vista de uma dieta Low Carb, como Atkins por exemplo, os adoçantes não calóricos estão liberados, afinal eles não elevam o açúcar no sangue e, portanto, não estimulam a insulina (mais sobre isso adiante).

Do ponto de vista da dieta paleolítica, bem, é evidente que não havia aspartame ou sacarina na dieta de nossos ancestrais. É, por conseguinte, evidente que nossos genes não estão preparados para lidar com estas substâncias.

Feita esta introdução, vamos analisar os diferentes tipos de adoçantes.

Adoçantes não calóricos. 

Sacarina - o mais antigo dentre os adoçantes não calóricos artificiais, foi descoberto em 1878, e passou a ser utilizado durante a primeira guerra mundial devido à falta de açúcar. A partir dos anos 1960, tornou-se popular por ser não calórico. Tem um gosto amargo no final, o que faz com que normalmente seja misturado com outros adoçantes (como o ciclamato). A sacarina produziu câncer de bexiga em ratos. Contudo, as doses utilizadas eram muito superiores às utilizadas no ser humano, e a química da urina do rato é diferente da nossa, o que leva a sacarina a cristalizar-se na bexiga dos mesmos, sendo que a irritação crônica causada pelos cristais é que está associada ao câncer. Com mais de 100 anos de uso, não há evidências científicas de que seja prejudicial à saúde.
MINHA IMPRESSÃO: se puder viver sem, melhor. Mas certamente é MENOS tóxica do que o açúcar. O fato de ser antigo é bom - são mais de 100 anos de uso.

Ciclamato - Descoberto em 1937, foi banido dos EUA em 1969 depois que estudos em ratos (com uma dose equivalente de ciclamato e sacarina a 350 latas de refrigerante por dia) provocou câncer de bexiga. Permanece banido nos EUA. É aprovado em mais de 55 países, inclusive na comunidade europeia (e no Brasil). Tem um gosto amargo no final, assim como a sacarina. Sua combinação com a sacarina (numa proporção de 10:1) faz com que um cancele o amargo do outro, sendo esta a fórmula dos adoçantes mais vendidos no Brasil.
MINHA IMPRESSÃO: se puder viver sem, melhor. Mas certamente é MENOS tóxica do que o açúcar. O fato de ser antigo é bom.

Aspartame - Sintetizado em 1965, aprovado pelo FDA em 1974. Tem o gosto mais parecido com o do açúcar, e não costuma deixar gosto amargo na paladar da maioria das pessoas. É composto de 2 aminoácidos (fenilalanina e aspartato). É metabolizado pelo organismo em seus aminoácidos constituintes. Assim, tecnicamente,  contém calorias. Mas como é 200 vezes mais doce do que o açúcar, é utilizados em doses tão pequenas que suas calorias acabam sendo efetivamente zero. O aspartame tem sido acusado como causa de inúmeras doenças, desde câncer até esclerose múltipla. Há um email que circula pela internet há anos, falando dos males do aspartame. Na verdade, tal email é um "hoax", um email falso com citações inverídicas. Os estudos epidemiológicos não conseguiram estabelecer nenhuma correlação entre o consumo de aspartame e nenhuma doença.
MINHA IMPRESSÃO - com a quantidade de conflitos de interesse da indústria, não podemos ter certeza de que é tão seguro assim. Na dúvida, atualmente, eu evitaria - acho cliclamato e sacarina mais seguros.

Sucralose - Sintetizada em 1976 a partir da sacarose, a qual é quimicamente modificada com o acréscimo de átomos de cloro, dando origem a um composto 600 vezes mais doce do que o açúcar; como não pode ser metabolizado, é considerado não calórico. É talvez o adoçante artificial não-calórico considerado mais seguro. O fato de não apresentar gosto amargo, e de ser estável a altas temperaturas (permitindo seu uso no preparo de receitas) o tornou muito popular. A maior parte é excretada nas fezes. Um estudo em ratos (empregando uma dose 10 a 100x superior à recomendada para seres humanos) provocou uma redução de 50% da flora intestinal dos animais, levantando a possibilidade de que possa provocar alterações indesejáveis desta flora em humanos, o que não foi demonstrado até o momento.
MINHA IMPRESSÃO: se puder viver sem, melhor. Mas certamente é MENOS tóxica do que o açúcar. O fato de ser um composto mais novo preocupa um pouco, no sentido de poder avaliar as consequências de seu consumo no longo prazo.

Acessulfame-K (ou Acessulfame potássico) - Descoberto em 1967, é 200x mais doce do que o açúcar, e tem um leve gosto amargo no final. Estudos em animais, com o equivalente à dose presente em mais de 1000 latas de refrigerante ao dia, não indicaram potencial carcinogênico. Costuma ser associado a outros adoçantes.
MINHA IMPRESSÃO: se puder viver sem, melhor. Mas certamente é MENOS tóxico do que o açúcar. O fato de ser um composto mais novo preocupa um pouco, no sentido de poder avaliar as consequências de seu consumo no longo prazo.

Estévia - A estévia é uma planta da família dos crisântemos, natural do Paraguai. O esteviosídeo é a substância doce extraída da planta, sendo cerca de 300 vezes mais doce do que o açúcar. É, portanto, um produto natural. A estévia, contudo, tem um pronunciado gosto amargo para algumas pessoas - a sensibilidade a este gosto parece ser geneticamente determinada. Há relatos de alterações de fertilidade em ratos - mais uma vez com concentrações elevadas.
MINHA IMPRESSÃO: é um produto natural (embora veneno de cobra também seja) e, em geral, na natureza, o sabor doce evolutivamente indica as plantas seguras para consumo. O que limita seu uso é o gosto, desagradável para muitas pessoas.

Adoçantes Calóricos
Preste atenção - a maior enganação dos rótulos mora aqui!

Os adoçantes calóricos são compostos que apresentam calorias, isto é, são metabolizadas pelo corpo fornecendo energia - em geral são transformados em glicose pelo fígado. Contudo, são (em geral) menos calóricos do que o açúcar.

O principal grupo são os POLIÓIS, conhecidos como "sugar-alcohols", ou "alcoóis de açúcar", pois tratam-se de modificações químicas de moléculas de açúcares simples que, do ponto de vista da química orgânica, lembram tanto a estrutura dos açúcares como dos alcoóis. Estes compostos ocorrem naturalmente em algumas plantas, em pequenas quantidades, mas maioria dos utilizados industrialmente são sintetizados a partir de açúcares simples ou amido.

Diferentes POLIÓIS têm metabolismo, calorias e impacto glicêmico completamente diferentes. Muitos são absorvidos de forma incompleta no intestino, sendo então metabolizados pela flora intestinal podendo provocar gases, estufamento e diarreia.

Segue, abaixo, um comparativo dos vários polióis:

Ingrediente
Doçura
GI
Cal/g
Sacarose (açúcar de mesa)
100%
60
4
Xarope de Maltitol
75%
52
3
Hidrolisado de Amido Hidrogenado
33%
39
2.8
Maltitol
75%
36
2.7
Xilitol
100%
13
2.5
Isomalte
55%
9
2.1
Sorbitol
60%
9
2.5
Lactitol
35%
6
2
Manitol
60%
0
1.5
Eritritol
70%
0
0.2


PRESTE ATENÇÃO: ESTA É A PARTE MAIS IMPORTANTE DESTA POSTAGEM:

Quase todos os produtos DIET como chocolates e "doces" diet contém POLIÓIS, e o mais comum é o MALTITOL.
O maltitol tem 75 do impacto glicêmico do açúcar, mas tem apenas 75% da doçura do açúcar, ou seja, são elas por elas. Acontece que, pela lei, o produto pode receber a palavra DIET no rótulo e pode receber a expressão ZERO AÇÚCAR no rótulo, mesmo que seja CHEIO de maltitol. Mas o maltitol eleva a glicose no sangue quase (75%) tanto quanto o açúcar!! Sim, mas, tecnicamente, não é um açúcar, portanto não é ilegal afirmar que o produto contém zero açúcar. Entendeu??

Eu vou repetir, para que não reste nenhuma dúvida:

Se eu tiver um chocolate com 100g de açúcar, e outro com 100g de matitol, o chocolate com 100g de maltitol equivale, em termos do efeito na glicose no sangue, a 75g do chocolate com açúcar. MAS o chocolate com maltitol pode, por lei, ser vendido como DIET e ZERO açúcar.

Por que a indústria faz isso? Bom, tenho minhas hipóteses. Primeiro, é preciso entender que o açúcar não serve apenas para adoçar (e viciar). Ele também fornece a TEXTURA de muitos alimentos. Assim, por exemplo, a textura do leite condensado é dada pelo açúcar. Se você adoçar leite com sucralose, você terá leite doce, e não leite condensado. O mesmo vale para doce de leite, geleias e, claro, chocolates. Assim, há um imperativo - uma necessidade - do emprego de substitutos que tenham características semelhantes às do açúcar.
Mas há uma interpretação mais cínica. A de que trata-se de uma forma explorar os furos da lei. Ou seja, vamos fazer um chocolate que tem o mesmo gosto do normal - porque no fundo É a mesma coisa, e eleva a glicose no sangue quase da mesma forma - mas que podemos fazer de conta que não é, pois a LEI permite dizer que é ZERO açúcar e DIET.

Talvez agora você entenda por que a MELHOR COISA que já aconteceu para a indústria alimentícia é a ideia de que só o que importa são as calorias. Isso permite que eu fabrique um chocolate (ou geleia, ou doce de leite, etc.) usando maltitol e sucralose no lugar do açúcar, que vai elevar a glicose no sangue e a insulina 75% do que o original faria, terá o mesmo gosto, custará o DOBRO, engordará tanto quanto, mas será consumido por pessoas que querem emagrecer (e por diabéticos - pior ainda), pois tem 25% menos calorias!

Por isso eu insisto, evitem o junk food low carb - os rótulos são peças de ficção com o objetivo explícito de lhes passar a perna. Comida de verdade não tem rótulo e, portanto, não mente.

Quer um chocolate?? Consuma um com mais de 70% de cacau e com açúcar de verdade. Como o sabor é forte, come-se pouco. E, pelo menos, é de verdade.

Quanto aos demais polióis:

  • Sorbitol: é muito pouco absorvido, praticamente não tem impacto na glicemia e insulina, mas por isso mesmo dá gases e diarreia se consumido em quantidade. Por este motivo, em geral é usado apenas em balas diet.
  • Isomalte: encontrado em raros produtos diet no Brasil, é um dos polióis mais adequados (baixo índice glicêmico)
  • Eritritol: é o melhor de todos os polióis - sendo absorvido (portanto não costuma dar diarreia) e excretado intacto. Nunca vi em nenhum produto brasileiro.


MAIS UM ALERTA:

Há mais algumas coisas que você deve saber.

Os adoçantes artificiais, por serem 200 a 600x mais doces do que o açúcar, precisam vir diluídos em alguma coisa. Caso contrário, a quantidade de sucralose, por exemplo, necessária para adoçar um café seria quase invisível a olho nu. Então, os fabricantes misturam o princípio ativo (o adoçante) em algum outro pó para preencher o espaço do pacotinho. Acontece que este pó é, em geral, um carboidrato!!! Isso mesmo, você leu bem. Ocorre o seguinte: no pensamento corrente entre médicos e nutricionistas, só o que importa são as calorias. Assim, se você tiver um pacotinho de sucralose diluído em 1g de lactose, isso corresponde a apenas 4 calorias - ou seja, quase nada. Mas e se você usar vários pacotinhos por dia? Digamos que você use 2 pacotinhos no seu café/limonada/chá, 5x ao dia. Serão apenas 40 calorias, mas serão 10 gramas de puro açúcar que você pode facilmente esquecer de contabilizar.

Os dois diluentes mais usados em adoçantes em pó são maltodextrina e lactose.
Ambos são carboidratos e devem ser considerados como açúcar.

IMPLICAÇÕES:

1) Cuidado com sucos artificiais e gelatinas diet em pó - boa parte do pó contido no envelope costuma ser maltodextrina, ou seja, açúcar. Lembre-se, as pessoas só se importam com calorias e, ao contrário de você, não estão controlando gramas de carboidratos.

2) Cuidado com substitutos de açúcar em pó - aqueles que você pode usar A MESMA QUANTIDADE nas receitas que requerem açúcar. SÃO UMA FARSA. A indústria usa o mesmo estratagema já descrito acima para os chocolates diet: usar maltodextrina, que não tem gosto doce e não é considerado um açúcar por lei - embora 100% se transforme em açúcar no organismo - para dar o volume e as propriedades físicas do açúcar (afinal, na prática, é um açúcar), e adoçar com um adoçante não-calórico (em geral ciclamato e sacarina). Assim, podem - sem quebrar nenhuma lei - encher um pote de um pó branco doce que aumenta a glicose no sangue e escrever bem grande no rótulo: ZERO açúcar!

Considerações Finais
Nenhum adoçante é "páleo" (isto é, condizente com os princípios de uma dieta paleolítica). Mas nenhum de nós é perfeito. Assim, com isso em mente, tenho as seguintes considerações a fazer:

  • Use adoçantes como um ex-fumante usa adesivos de nicotina: para tentar largar o vício do açúcar;
  • O objetivo é usar menos adoçantes com o tempo;
  • Alguns adoçantes parecem bastante seguros, especialmente quando comparados à toxicidade já bem estabelecida do açúcar;
  • Se for para comer algo com maltitol, melhor comer logo o produto original com açúcar e assumir a bronca, sem autoengano;
  • Use os adoçantes não-calóricos em formulação líquida (gotas), pois os mesmos são diluídos em água (certifique-se, leia o rótulo); os adoçantes em pó são diluídos em carboidratos.

P.S.: adoçantes artificiais podem elevar a insulina mesmo sem elevar glicose (apenas por terem o gosto doce)? A resposta curta é que, de uma forma geral, não. A maioria dos estudos mostra que não, e alguns poucos mostram pequenas elevações que, na prática, não teriam impacto. Quem quiser se aprofundar no tema, pode consultar o excelente artigo de Mak Sisson sobre o assunto.

FONTE: http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/02/adocantes-e-rotulos.html

domingo, 2 de março de 2014

Para acirrar "briga" entre criacionistas e evolucionistas... não resisti !

Nova teoria cosmológica descarta Big Bang

Com informações da Universidade de Heidelberg - 28/02/2014
Nova teoria cosmológica descarta ocorrência do Big Bang
Por mais incômodo que possa ser, os físicos nunca conseguiram se livrar de fato de um "momento da criação".[Imagem: Cortesia www.grandunificationtheory.com]
Adeus Big Bang?
Será que o universo começou com uma grande explosão - o Big Bang - ou será que ele lentamente vem se descongelando de um estado extremamente frio e quase estático?
Embora a ideia de um Big Bang tenha sido ridicularizada e enfrentado grande ceticismo entre os físicos quando foi apresentada, a atual geração de cientistas cresceu sob esse arcabouço teórico.
E, por mais incômodo que possa ser, os físicos ainda não conseguiram se livrar de fato de um "momento da criação".
Para a atual geração, o Big Bang parece tão natural que muitos se esquecem de que se trata de um modelo teórico, e se referem a ele como um "fato histórico inegável".
O Dr. Christof Wetterich, um físico da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, não comunga desse "paradigma".
Wetterich acaba de detalhar em três artigos científicos um novo modelo teórico de expansão cósmica que consegue um feito inusitado: ao mesmo tempo que parece virar a cosmologia atual de pernas para o ar, seu modelo acomoda os dados observacionais obtidos nas últimas décadas.
Nova teoria cosmológica descarta ocorrência do Big Bang
Outra tentativa recente de deixar o Big Bang para trás encara o surgimento do Universo a partir de uma sopa primordial. [Imagem: TU Vienna]
Singularidade
Pela nova teoria, o Universo não nasceu em um Big Bang instantâneo ocorrido 13,8 bilhões anos atrás - em vez disso, o nascimento do Universo foi calmo e lento, estendendo-se para o passado infinito.
A base dessa proposta é que as massas de todas as partículas elementares aumenta constantemente, embora muito lentamente, algo que já é acomodado pela física das partículas.
No modelo atual, quanto mais nos dirigimos ao passado, aproximando-nos do momento do Big Bang, mais forte a geometria do espaço-tempo se curva, até chegar a uma singularidade, um termo que descreve condições nas quais as leis físicas não estão definidas.
No cenário do Big Bang, conforme o tempo vai passando a curvatura do espaço-tempo vai aumentando, tornando-se infinitamente grande, até chegar ao "universo plano" atual.

Universo com idade infinita
O professor Wetterich, porém, acredita que é possível ver o quadro todo de um ângulo diferente.
Se as massas de todas as partículas elementares aumentam ao longo do tempo e a força gravitacional diminui, então o Universo também pode ter tido um início lento e muito frio.
Nesse ponto de vista, o Universo "sempre existiu" - estende-se temporalmente ao infinito - e sua "situação inicial" era praticamente estática.
Nova teoria cosmológica descarta ocorrência do Big Bang
A teoria do Universo Holográfico também está no páreo, ganhando cada vez mais a atenção dos físicos. [Imagem: Ephraim Brown]
O cientista considera que os primeiros eventos que são indiretamente observáveis hoje não estão no bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de segundo após o Big Bang - eles se estendem a algo em torno de 50 trilhões de anos atrás.
"Não existe mais uma singularidade neste novo quadro do cosmos," resume ele, singularidade que sempre foi um elemento incômodo porque nele as leis da física não funcionam, não há explicação do porquê da explosão e se mantém a insistente questão sobre o que existia antes.
Campo cósmon
O novo modelo teórico explica a energia escura e o "Universo inflacionário" primordial com um único campo escalar que muda com o tempo, com todas as massas aumentando com o valor desse campo.
"É uma reminiscência do bóson de Higgs descoberto recentemente em Genebra. Esta partícula elementar confirmou a suposição dos físicos que as massas das partículas de fato dependem de valores de campo e, portanto, são variáveis," explica Wetterich.
Nesta abordagem, todas as massas são proporcionais ao valor do chamado campo "cósmon", que aumenta no decurso da evolução cosmológica.
"A conclusão natural deste modelo é um quadro de um Universo que evoluiu muito lentamente a partir de um estado extremamente frio, encolhendo durante longos períodos de tempo, em vez de se expandir," explica Wetterich.
Nova teoria cosmológica descarta ocorrência do Big Bang
"No novo modelo, o incômodo dilema de que deve ter havido algo antes do Big Bang já não é mais um problema," diz o Dr. Christof Wetterich. [Imagem: Benjamin/Heidelberg University]
Mantendo a interpretação do Big Bang
Apesar disso, Wetterich salienta que isso de forma alguma torna a visão anterior do Big Bang inválida: "Os físicos estão acostumados a descrever os fenômenos observados usando imagens diferentes: a luz, por exemplo, pode ser representada na forma de partículas ou como uma onda."
Nessa linha, entender o nascimento do Universo como uma explosão repentina ou como uma lenta inflação - uma "explosão" diluída no passado infinito - é algo muito menos radical.
"Isso é muito útil para muitas previsões concretas sobre as consequências que surgem a partir dessa nova abordagem teórica. Entretanto, descrever o 'nascimento' do Universo sem uma singularidade oferece uma série de vantagens," enfatiza ele.
"E, no novo modelo, o incômodo dilema de que deve ter havido algo antes do Big Bang já não é mais um problema," conclui Wetterich.
Bibliografia:

Hot big bang or slow freeze?
Christof Wetterich
arXiv
Vol.: 024005
DOI: 10.1103/PhysRevD.89.024005
http://arxiv.org/abs/1401.5313

Variable gravity Universe
Christof Wetterich
Physical Review D
Vol.: 2, Iss 4, 184-187
DOI: 10.1016/j.dark.2013.10.002

Universe without expansion
Christof Wetterich
Physics of the Dark Universe