sábado, 12 de dezembro de 2015

VOCÊ É FALSO MAGRO OU GORDO SEM DESCONFIAR ?? E DAI ? QUEM VIVE MAIS ?? E MAIS SAUDÁVEL ??







ATENÇÃO: O texto a seguir deve ser lido com extrema cautela. Eu não queria fazê-lo, mas é importante esclarecer um fato científico bastante contraditório e perigoso. Evite distorcer as informações aqui contidas.  

A grande maioria aqui nunca deve ter ouvido falar nesse assunto, porque é algo, conscientemente, pouco divulgado pela comunidade científica. Quem está acostumado a ler artigos científicos sobre endocrinologia e cardiologia, porém, já deve ter ouvido falar do termo ´Paradoxo da Obesidade´. Desde 1960, cada vez mais estudos mostravam que um curioso e contraditório fato era observado entre a população com sobrepeso e obesa: eles resistiam mais às doenças crônicas, especialmente as cardíacas, do que as pessoas com peso normal ( índice de gordura recomendado)! E outra: as pessoas com sobrepeso, a partir dos 70, tinham menor índice de mortalidade associada à doenças do que as mais magras!


             Mas o sobrepeso e obesidade não disparam doenças como a diabetes, hipertensão e problemas cardíacos? Sim, o excesso de massa adiposa realmente aumenta as chances de todos esses eventos ocorrerem. Então, como esse grupo sobrevive mais às doenças cardíacas, e morrem menos quando idosas? É esse, exatamente, o paradoxo. Existe uma curva famosa, associada ao paradoxo, que mostra o índice de mortalidade em função da idade e índice de gordura corporal ( figura abaixo). Para tentar entender um pouco esses dados estranhos, temos que definir dois tipo de ´magros´ ( peso normal/recomendado).

Fonte: http://www.ganesha-associates.com/coursetwo/Practical_exercises/1_Research_practicals/5_Obesity/Obesity%20and%20age.pdf  (Publicação na Nature)
                Existem magros saudáveis e existem magros ´obesos´. 
O segundo tipo, apesar da aparência, possuem uma circulação sanguínea tão problemática quanto os reais obesos. O sangue deles possuem uma quantidade imensa de colesterol e gorduras circulantes, além de fatores da diabetes. Quem sempre é magro, costuma comer muita porcaria sem se preocupar, porque não engorda com facilidade. Isso causa um caos hormonal e metabólicos mesmo se massa adiposa não esteja sendo acumulada. Com isso, doenças cardíacas, e afins, surgem fácil nesses indivíduos. Isso sem contar fatores genéticos e a idade. Quanto maior a idade, independente do índice de gordura corporal, problemas de saúde, como os cardíacos, começam a surgir com maior frequência. E é aí que tudo se junta para explicar o paradoxo.

                Por motivos ainda não totalmente compreendidos pela ciência, pessoas obesas resistem mais aos problemas cardíacos, diabetes, e outras doenças crônicas, do que as pessoas mais magras.  Esse fenômeno se torna mais evidente em pessoas mais idosas. Diversas evidências e explicações existem, e envolvem diferenças hormonais causadas pela células de gordura extras, maior quantidade de ácidos graxos circulantes, reserva maior de energia, fatores anti-inflamatórios liberados em maior quantidade, absorção de substâncias tóxicas ao corpo pelo tecido adiposo avantajado, entre diversas outras teorias. Para se ter uma ideia, pessoas diabéticas magras possuem uma chance duas vezes maior de ter sérias complicações com a doença do que os obesos. E no campo dos problemas cardíacos, as probabilidades são ainda maiores e não seguem relação com a idade mostrada no primeiro gráfico. Qualquer adulto com sobrepeso, ou obeso, possui maiores chances de escapar de um problema cardíaco, como mostrado no slide abaixo, retirado de uma publicação científica da área de cardiologia. Mas, então, por que essa informação é perigosa? Pode até animar quem está obeso, oras!

Gráfico publicado no jornal científico da JACC, em 2013; as linhas pontilhadas marrom e verde, representam os pacientes com falha cardíaca em sobrepeso e obesos, respectivamente; ambos tiveram melhor índice de sobrevivência do que aqueles abaixo do peso ( azul) e no peso ideal ( azul escuro)


              Se voltarmos e observarmos as curvas da primeira figura, veremos que um mínimo de mortalidade paira nas pessoas com sobrepeso a partir dos 70 anos, e, a partir do aumento da obesidade, o índice de mortalidade começa a subir novamente. Isso é porque os problemas relacionados ao excesso de massa adiposa começam a ficar mais e mais frequentes, ultrapassando, e muito, os magros. Ou seja, mesmo eles resistindo mais à doenças, vários mais morrem devido a elas do que os menos gordinhos. Além disso, quanto maior a obesidade, maiores os danos ao corpo. Portanto, um sobrepeso aumenta os riscos, mas não tanto quanto os reais obesos. Com isso, a competição dos gordinhos mais moderados com os magros fica mais favorável. O problema de ficar divulgando que pessoas com sobrepeso ( mas não tão obesas) são mais saudáveis entre o grupo de idade que possui maior mortalidade, ou seja, a partir dos 70, pode trazer uma interpretação errada sobre todo o fenômeno. Pior ainda é mencionar as estatísticas cardíacas. Ainda no primeiro gráfico, vemos que, diminuindo a idade, a tendência ainda continua, com as pessoas com sobrepeso tendo uma expectativa de vida apenas um pouco menor. Mas, em todos os grupos de idade, uma real obesidade já começa a aumentar, bastante, o número de mortes. Se você possui sobrepeso, é grande a tendência de você continuar engordando se não existir nenhum esforço para impedir isso. 

                 Divulgar que as pessoas com sobrepeso possuem força de vida comparável, ou até melhor,  com os magros, pode estimular ainda mais o acúmulo de gordura. Pessoas que antes seguravam o sobrepeso com exercícios e dietas saudáveis, ficam mais desestimuladas em querer ficar com o peso normal. Se hoje, nos EUA, dois terços da população está acima do peso, mesmo com todas as campanhas lutando contra a obesidade, imagina se uma notícia dessas for distorcida no meio da população. Aí, os dois terços se tornam obesos e o um terço restante, passa a ter sobrepeso, com toda a certeza. Até mesmo a gananciosa indústria dos processados e redes de Fast-Foods passariam a divulgar e financiar estudos como esse com tremendo vigor, estimulando a compra de produtos porcarias pela descrente população. E um detalhe: conviver com diabetes e constantes problemas cardíacos não é um bom estilo de vida, mesmo com os gordinhos resistindo mais a eles.

Não podemos, jamais, estimular o ganho de peso adiposo entre a população; celebrar uma espécie de ´Orgulho Obeso´ é bastante perigoso

                  Temos também que adicionar um outro detalhe. Os estudos e dados sobre o Paradoxo da Obesidade reúnem informações sobre pacientes que mais representam a sociedade, ou seja, um bando de sedentários e desleixados com a alimentação. Se a pessoa de peso normal pratica atividades físicas constantes e mantêm um bom hábito alimentar, esse paradoxo deixa de existir, com as pessoas com sobrepeso deixando de ter as vantagens da proteção adiposa. Claro, se a pessoa com sobrepeso praticar exercícios e se alimentar bem, o ´paradoxo´ pode voltar um pouco, mas é bem provável que ela não ficará acima do peso por muito tempo com o novo estilo de vida. E é bom deixar claro que as pessoas com muitos músculos e pouca gordura corporal, caso sejam saudáveis, também saem desse paradoxo. Um maior tecido muscular, gera benefícios muito grandes para a saúde. O sobrepeso aqui discutido no artigo é de massa adiposa ( células de gordura, não musculares). Aliás, essa é outra explicação para a maior resistência de vida dos gordinhos. Eles tendem a possuir maior massa muscular e força física do que os mais magros, já que estão se exercitando com o próprio peso extra. Com uma massa muscular maior, maiores são os benefícios para a saúde. Já foi comprovado por diversos estudos que o tecido muscular esquelético funciona como verdadeiros produtores de hormônios benéficos para o corpo, além de ajudar bastante a regular a glicemia sanguínea.

              Conclusão: esqueçam esse paradoxo e continuem tendo um estilo saudável de vida, tentando sempre emagrecer para atingir um peso ideal. Com muito esforço, mesmo você não chegando ao peso recomendado, ficará, no máximo, no grupo do sobrepeso. E isso, no final das contas, não é uma notícia tão ruim, pelo menos para sua expectativa de vida.

OBSERVAÇÃO: Analisando o primeiro gráfico, podemos também perceber que pessoas abaixo do peso ideal, indo cada vez mais para o caminho da desnutrição, possuem um aumento na taxa do índice de morte muito maior do que os obesos, entre os grupos com maior idade. Isso é um aviso para as pessoas que fazem dietas extremistas e para a busca de um corpo de ´modelo´ pelas mulheres. Deixar o corpo muito magro, e, possivelmente, com falta de nutrientes, é uma agressão grave ao organismo.

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://heartfailure.onlinejacc.org/article.aspx?articleid=1671245
  2. http://www.ganesha-associates.com/coursetwo/Practical_exercises/1_Research_practicals/5_Obesity/Obesity%20and%20age.pdf
  3. http://www.nature.com/ijo/journal/v38/n8/abs/ijo2013203a.html
  4. http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1007/s13539-012-0059-5/full#jcsm2012311-bib-0008
  5. http://content.onlinejacc.org/article.aspx?articleid=1356606
  6. http://aje.oxfordjournals.org/content/175/8/793.short
  7. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0002914912008533
  8. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0025619612011767 
FONTE: http://www.saberatualizado.com.br/2015/12/o-que-e-o-paradoxo-da-obesidade.html

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