A depressão: os remédios e porquê não funcionam em mim?
Por Pablo Murad -
1 de junho de 2016
Ao longo dos anos tenho feito várias
pesquisas a respeito da medicação e seus efeitos. Observei várias pessoas
impacientes com o desgaste emocional que causa a dependência química dos
remédios além de se frustrarem pela ineficácia desses. Após anos sendo
medicados, desistiam do tratamento por acreditar que não pudessem melhorar.
Baseando-me sempre na pesquisa de
Andrew Solomon (na qual este diz que transtornos mentais são 20% filosóficos e
80% genéticos), pergunto sobre a família do paciente, procurando saber se
existe algum outro caso de doença mental conhecido.
Leia-se como filosofia, experiências
e traumas, reais ou fictícios.
A realidade é una, estamos mais
evoluídos na psiquiatria do que há 50 anos atrás e muito atrasado pelo que virá
nos próximos 50 anos. Medicações novas e aparentemente milagrosas tem sido
testadas, um exemplo é como a cetamina que promete curar a depressão em uma
hora.
Então qual é o parâmetro para escolha
da medicação e por que não está fazendo efeito?
Lembre-se: cada organismo lida
de uma maneira diferente frente à uma medicação. Os psiquiatras em geral
começam com as dosagens mais baixas dos medicamentos mais comuns. A ideia é que
o medicamento faça efeito em 15 dias e após o retorno, o paciente relate alguma
mudança que possa favorecer seu tratamento.
Porém há casos em que o paciente toma
por mais de anos o mesmo medicamento e não obtém os efeitos esperados,
principalmente em casos de depressão.
Pessoalmente, após dez psiquiatras
pude conseguir fechar meu diagnóstico como bipolar,
e então algo: a farmácia inteira foi testada em mim.
Psiquiatria vive de chute e acerto,
mas acerta. Se seu remédio não faz efeito, fale ao seu médico sobre a possível
troca, fale sobre as dosagens, converse sobre seu tamanho e peso, para que seu
aquele possa ajustar a dosagem correta de acordo com seu físico. O importante é
não pare de tentar. Por mais complicado que seja seus tratamentos e os efeitos
colaterais desse, o conforto que procura está ao alcance de seus dedos.
Um erro comum é acreditar que o
oposto da depressão é a felicidade. Errado. A depressão é a falta de
vitalidade, como por exemplo levantar da cama e realizar tarefas rotineiras. A
felicidade e a tristeza são
apenas estados de espírito momentâneos, passageiros.
A depressão é
mais comum do que parece, uma em cada cinco pessoas a possui, de acordo com a
Organização Mundial de Saúde, o que pressupõe que 25% do mundo tem depressão,
sendo essa a doença mais incapacitante da atualidade, ao lado da síndrome do
pânico.
O que destila essa pesquisa são as
condições sociais do sujeito, ou seja, o índice da depressão em indigentes é
maior do que em outras classes, pouco tratado por ser pouco observado.
Relaciona-se, através do preconceito, a condição da pessoa (de morar na rua por
exemplo) com seu estado de humor deprimido. Leia-se “sua vida é um lixo e por
isso você se sente como um lixo.”
Em contrapartida, isso não se vê em
classes médias e altas, pois um novo tipo de preconceito iminente vem à tona.
Quando em condições melhores, o fato de estar em depressão significa, para
ignorantes, que a pessoa é mal-agradecida ou carente. “Se você tem tudo, por
que age e se sente assim?”
A depressão não escolhe indivíduos,
ela existe. E deve ser tratada.
Não se sabe por onde começa. Pode ser
súbita, como pode demorar. Eu fui diagnosticado aos 16, mas conheço pessoas
diagnosticadas com 49. Independente do quando ela aparece, deve ser tratada com
fármacos e auxílio terapêutico para assim, obter-se o efeito desejado: sua
remissão.

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